Novas esperanças para a esclerose múltipla Imprimir
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Os maiores especialistas dão notícias sobre os avanços na luta contra esta doença incapacitante

Por Anita Bartholomew

VOCÊ É JOVEM, SAUDÁVEL, com possibilidades infinitas na vida – amor, carreira, família. E então...

Algo estranho acontece. Seu corpo se recusa a fazer o que sempre fez. Talvez a perna esquerda ceda de repente. Ou o braço direito comece a formigar e perca força. Ou você não consegue enxergar com um dos olhos.

O que há de errado?

O médico pede uma ressonância magnética do cérebro e da medula, encontra cicatrizes reveladoras de lesões – danos
ao sistema nervoso central – e dá o diagnóstico. Você tem esclerose múltipla, doença incurável que, daqui a algum tempo, pode incapacitá-lo.

E agora, o que fazer com tantos planos para o futuro?

QUANDO FAZ BEM O SEU TRABALHO, o sistema imune nos defende de vírus, bactérias e outros invasores microscópicos. Mas em quem tem esclerose múltipla algumas células combatentes desse sistema se confundem e decidem que os neurônios (células do cérebro e da medula) são invasores. Lançam todas as suas armas contra esse “inimigo”. Destroem a bainha de mielina que reveste os axônios, condutores de informação dos neurônios. Isso interrompe a capacidade da célula de mandar mensagens ao resto do corpo. Músculos, articulações, olhos, raciocínio: todos exigem mensagens claras para funcionar bem.

No Brasil, a esclerose múltipla atinge cerca de 30 mil pessoas, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. A doença afeta cerca de duas vezes mais mulheres do que homens e costuma surgir na casa dos 20-30 anos. E a probabilidade aumenta quando se tem um dos pais ou irmãos com a doença, mas “não é uma doença genética em sentido estrito”, diz o professor Reinhard Hohlfeld, do Instituto de Neuroimunologia Clínica de Munique, na Alemanha. Muitos genes diferentes têm seu papel na esclerose múltipla, que exige um gatilho ou uma combinação de gatilhos para que o processo se inicie.

Nem sempre o diagnóstico é fácil. “Não há duas pessoas com o mesmo tipo de sintoma e apresentação da doença”, diz a Dra. Marie D’hooghe, neurologista do Centro Nacional de Esclerose Múltipla de Melsbroek, na Bélgica. Conforme a área do sistema nervoso afetada, os sintomas iniciais podem ser cegueira súbita num dos olhos, fraqueza ou formigamento em algum membro, descontrole da bexiga, dificuldade de equilíbrio ou problemas de raciocínio e memória. Mas, ao contrário da doença de Alzheimer, raramente a esclerose múltipla afeta a memória de longo prazo, a inteligência geral e a compreensão da leitura.

A FORMA INICIAL mais comum da esclerose múltipla é a esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), ou surto-remissão. Os sintomas costumam aparecer sem aviso, e depois, em dias ou semanas, somem sozinhos, completa ou parcialmente, mesmo sem tratamento. No entanto, deixam lesões.

A maioria dos que têm a EMRR (cerca de 80%) com o tempo progredirá para a esclerose múltipla progressiva secundária (EMPS), embora isso possa levar 25 anos ou mais: não há mais surtos, apenas um declínio lento e constante que pode levar à incapacitação completa.

Outro tipo, a esclerose múltipla progressiva primária (EMPP), afeta cerca de 10% dos doentes e costuma surgir depois dos 40 anos. Em vez de surtos e remissões, os sintomas pioram aos poucos. Enquanto a EMRR, em geral, afeta o cérebro, a maioria dos pacientes com EMPP “apresentam sintomas que revelam envolvimento significativo da medula espinhal”, explica a Dra. Regina Schlaeger, neurologista e pesquisadora da esclerose múltipla no Hospital Universitário da Basileia, na Suíça. Por conseguinte, esses pacientes costumam sofrer de problemas nas pernas.

DEPOIS QUE a inflamação de um surto é controlada com corticosteroides, a primeira linha de tratamento para limitar novos surtos são os interferons ou o acetato de glatirâmer.

Entretanto, esses medicamentos freiam o sistema imunológico como um todo. E o bom funcionamento desse sistema é essencial para a saúde. Portanto, a meta dos novos anticorpos monoclonais produzidos em laboratório, a exemplo dos nossos anticorpos naturais, é atacar com mais precisão as células que provocam a doença. O Dr. Tim Coetzee, da Sociedade Americana de Esclerose Múltipla, chama os anticorpos monoclonais de “bombas inteligentes”, graças à sua capacidade de “eliminar as células imunes prejudiciais e deixar as outras”.

O anticorpo monoclonal aprovado mais recentemente para o tratamento da doença (no Canadá, na Europa e na Ásia), o alemtuzumabe, é um medicamento desenvolvido nos anos 1980 para tratar um tipo de leucemia. Estudos clínicos mostraram que ele reduz o número de surtos e a extensão das lesões cerebrais no início da EMRR.

Três novos medicamentos orais estão disponíveis: fingolimode, teriflunomida e fumarato de dimetila. Antes de sua aprovação, todos os remédios para esclerose múltipla eram injetáveis.

Alguns pacientes, porém, ainda terão de esperar. “A disponibilidade de medicamentos varia muito pelo mundo”, explica o professor Alan Thompson, da Federação Internacional de Esclerose Múltipla. Ele diz que o acesso é limitado em muitos países.

Viva o momento - relato de Irina-Eliza Penciu

Não há medicamentos especificamente aprovados para as formas progressivas primária e secundária de esclerose múltipla, e os utilizados para tratar a EMRR não surtem efeito contra a doença progressiva, embora evidências de relatos indiquem que seu uso na fase de surto-remissão pode retardar ou prevenir a progressão posterior.

A fisioterapia é um dos tratamentos mais eficazes no estágio progressivo, diz o professor Thompson. Embora o foco principal sejam as áreas afetadas, “não é uma questão de tratar apenas o músculo”, diz ele. “Na verdade, há indícios de influência sobre o modo como o cérebro reage às lesões.” Em outras palavras, o trabalho corporal pode estimular o cérebro a se autoconsertar.

EM BREVE OS MÉDICOS poderão ter em seu arsenal outra "bomba inteligente", mas com uma diferença importante. O novo anticorpo monoclonal conhecido apenas como rHIgM22 é o primeiro que parece capaz de reconstruir a bainha de mielina que reveste os neurônios. Isso significa que talvez o rHIgM22 consiga interromper ou até reverter os danos na fase progressiva. Atualmente, encontra-se em estudos clínicos.

Com frequência, os avanços no tratamento não vêm de medicamentos novos, mas de remédios desenvolvidos para outras doenças usados de uma nova maneira.

Num estudo recente publicado na revista The Lancet em março de 2014, as estatinas, desenvolvidas para baixar o colesterol, reduziram as lesões do sistema nervoso e a incapacidade física da EMPS. E um estudo também publicado em março de 2014 na revista Neurology indica que os canabinoides - compostos encontrados na maconha - podem ajudar a reconstruir a bainha de mielina que recobre os axônios e talvez seja um novo tratamento contra a EMPP e a EMPS.

Faz tempo que as mulheres relatam menos surtos durante a gestação, o que levou pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles a ministrar estriol, hormônio abundante durante a gravidez, junto com acetato de glatirâmer, a mulheres não gestantes com EMRR. Nesse estudo recém-publicado, as mulheres que tomaram estriol tiveram 47% menos surtos do que as que receberam acetato de glatirâmer e placebo, e também obtiveram nota mais alta em testes cognitivos. O estriol é amplamente receitado para tratar sintomas da menopausa.

Pesquisadores como a Dra. Emmanuelle Waubant, professora de neurologia e pediatria do Centro de Esclerose Múltipla da Universidade da Califórnia em São Francisco, tentam decifrar por que alguns têm a doença e outros não. A Dra. Waubant descobriu que a exposição a alguns vírus comuns parece aumentar o risco, e a exposição a outros pode até reduzi-lo. Isso, porém, não explica tudo.

Espírito combativo - relato de Bernd Gross

"Provavelmente, há interações entre os genes do indivíduo, o tipo de vírus que ele adquire e a época em que ocorrem as infecções", diz ela. Em outras palavras, parece que não é apenas a combinação de genes e vírus que aumenta ou reduz o risco. A época em que essa combinação se dá pode ser igualmente importante para determinar o risco de esclerose múltipla. A compreensão dessas interações complexas pode ajudar os pesquisadores a desenvolver estratégias para o tratamento e a prevenção.

VOCÊ MESMO PODE ajudar a controlar a esclerose múltipla, Ela tende a ser mais prevalente em países onde há menos exposição ao sol, e a deficiência de vitamina D (produzida no corpo em reação à luz solar) aumenta o risco de desenvolver a doença. A Dra. Marie D'hooghe recomenda acompanhar o nível de vitamina D, sobretudo no inverno. Caso exames de sangue revelem a deficiência, a suplementação com 900 a 1.000 U.I. de vitamina D por dia pode ajudar a reduzir os surtos.

As medidas mais simples podem ser as mais importantes. Embora o curso da esclerose múltipla seja imprevisível, vários especialistas afirmam que a probabilidade de um futuro melhor aumenta quando se leva uma vida saudável. Se você fuma, pare; fumar aumenta o risco de desenvolver esclerose múltipla e acelera a evolução da doença. Prefira alimentos saudáveis e reduza o estresse e mantenha-se ativo.

Muitos especialistas entrevistados para este artigo acreditam que em breve teremos novas terapias para limitar a progressão da doença e, talvez, revertê-la.

"No decorrer de um período de quase vinte anos, passamos da inexistência de opções de tratamento para 10 ou 12 tratamentos para a esclerose múltipla remitente-recorrente, o que é uma mudança extraordinária", diz o Dr. Coetzee.

Há um esforço conjunto de neurocientistas do mundo inteiro para encontrar tratamentos, em particular para a esclerose múltipla progressiva. Com os medicamentos aprovados recentemente e outros que ainda se encontram em fase de estudos, existem hoje boas opções para manter a doença sob controle e esperanças reais de vencê-la amanhã.

Fonte: Seleções, Reader's Digest, p. 66-73, dezembro de 2014.

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Você é jovem, saudável, com possibilidades infinitas na vida – amor, carreira, família. E então...

Algo estranho acontece. Seu corpo se recusa a fazer o que sempre fez. Talvez a perna esquerda ceda de repente. Ou o braço direito comece a formigar e perca força. Ou você não consegue enxergar com um dos olhos.

O que há de errado?

O médico pede uma ressonância magnética do cérebro e da medula, encontra cicatrizes reveladoras de lesões – danos
ao sistema nervoso central – e dá o diagnóstico. Você tem esclerose múltipla, doença incurável que, daqui a algum tempo, pode incapacitá-lo.

E agora, o que fazer com tantos planos para o futuro?

Quando faz bem o seu trabalho, o sistema imune nos defende de vírus, bactérias e outros invasores microscópicos. Mas em quem tem esclerose múltipla algumas células combatentes desse sistema se confundem e decidem que os neurônios (células do cérebro e da medula) são invasores. Lançam todas as suas armas contra esse “inimigo”. Destroem a bainha de mielina que reveste os axônios, condutores de informação dos neurônios. Isso interrompe a capacidade da célula de mandar mensagens ao resto do corpo. Músculos, articulações, olhos, raciocínio: todos exigem mensagens claras para funcionar bem.

No Brasil, a esclerose múltipla atinge cerca de 30 mil pessoas, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. A doença afeta cerca de duas vezes mais mulheres do que homens e costuma surgir na casa dos 20-30 anos. E a probabilidade aumenta quando se tem um dos pais ou irmãos com a doença, mas “não é uma doença genética em sentido estrito”, diz o professor Reinhard Hohlfeld, do Instituto de Neuroimunologia Clínica de Munique, na Alemanha. Muitos genes diferentes têm seu papel na esclerose múltipla, que exige um gatilho ou uma combinação de gatilhos para que o processo se inicie.

Nem sempre o diagnóstico é fácil. “Não há duas pessoas com o mesmo tipo de sintoma e apresentação da doença”, diz a Dra. Marie D’hooghe, neurologista do Centro Nacional de Esclerose Múltipla de Melsbroek, na Bélgica. Conforme a área do sistema nervoso afetada, os sintomas iniciais podem ser cegueira súbita num dos olhos, fraqueza ou formigamento em algum membro, descontrole da bexiga, dificuldade de equilíbrio ou problemas de raciocínio e memória. Mas, ao contrário da doença de Alzheimer, raramente a esclerose múltipla afeta a memória de longo prazo, a inteligência geral e a compreensão da leitura.

A forma inicial mais comum da esclerose múltipla é a esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), ou surto-remissão. Os sintomas costumam aparecer sem aviso, e depois, em dias ou semanas, somem sozinhos, completa ou parcialmente, mesmo sem tratamento. No entanto, deixam lesões.

A maioria dos que têm a EMRR (cerca de 80%) com o tempo progredirá para a esclerose múltipla progressiva secundária (EMPS), embora isso possa levar 25 anos ou mais: não há mais surtos, apenas um declínio lento e constante que pode levar à incapacitação completa.

Outro tipo, a esclerose múltipla progressiva primária (EMPP), afeta cerca de 10% dos doentes e costuma surgir depois dos 40 anos. Em vez de surtos e remissões, os sintomas pioram aos poucos. Enquanto a EMRR, em geral, afeta o cérebro, a maioria dos pacientes com EMPP “apresentam sintomas que revelam envolvimento significativo da medula espinhal”, explica a Dra. Regina Schlaeger, neurologista e pesquisadora da esclerose múltipla no Hospital Universitário da Basileia, na Suíça. Por conseguinte, esses pacientes costumam sofrer de problemas nas pernas.

Depois que a inflamação de um surto é controlada com corticosteroides, a primeira linha de tratamento para limitar novos surtos são os interferons ou o acetato de glatirâmer.

Entretanto, esses medicamentos freiam o sistema imunológico como um todo. E o bom funcionamento desse sistema é essencial para a saúde. Portanto, a meta dos novos anticorpos monoclonais produzidos em laboratório, a exemplo dos nossos anticorpos naturais, é atacar com mais precisão as células que provocam a doença. O Dr. Tim Coetzee, da Sociedade Americana de Esclerose Múltipla, chama os anticorpos monoclonais de “bombas inteligentes”, graças à sua capacidade de “eliminar as células imunes prejudiciais e deixar as outras”.

O anticorpo monoclonal aprovado mais recentemente para o tratamento da doença (no Canadá, na Europa e na Ásia), o alemtuzumabe, é um medicamento desenvolvido nos anos 1980 para tratar um tipo de leucemia. Estudos clínicos mostraram que ele reduz o número de surtos e a extensão das lesões cerebrais no início da EMRR.

Três novos medicamentos orais estão disponíveis: fingolimode, teriflunomida e fumarato de dimetila. Antes de sua aprovação, todos os remédios para esclerose múltipla eram injetáveis.

Alguns pacientes, porém, ainda terão de esperar. “A disponibilidade de medicamentos varia muito pelo mundo”, explica o professor Alan Thompson, da Federação Internacional de Esclerose Múltipla. Ele diz que o acesso é limitado em muitos países.

Não há medicamentos especificamente aprovados para as formas progressivas primária e secundária de esclerose múltipla, e os utilizados para tratar a EMRR não surtem efeito contra a doença progressiva, embora evidências de relatos indiquem que seu uso na fase de surto-remissão pode retardar ou prevenir a progressão posterior.

A fisioterapia é um dos tratamentos mais eficazes no estágio progressivo, diz o professor Thompson. Embora o foco principal sejam as áreas afetadas, “não é uma questão de tratar apenas o músculo”, diz ele. “Na verdade, há indícios de influência sobre o modo como o cérebro reage às lesões.” Em outras palavras, o trabalho corporal pode estimular o cérebro a se autoconsertar.

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Algo estranho acontece. Seu corpo se recusa a fazer o que sempre fez. Talvez a perna esquerda ceda de repente. Ou o braço direito comece a formigar e perca força. Ou você não consegue enxergar com um dos olhos.

O que há de errado?

O médico pede uma ressonância magnética do cérebro e da medula, encontra cicatrizes reveladoras de lesões – danos
ao sistema nervoso central – e dá o diagnóstico. Você tem esclerose múltipla, doença incurável que, daqui a algum tempo, pode incapacitá-lo.

E agora, o que fazer com tantos planos para o futuro?

Quando faz bem o seu trabalho, o sistema imune nos defende de vírus, bactérias e outros invasores microscópicos. Mas em quem tem esclerose múltipla algumas células combatentes desse sistema se confundem e decidem que os neurônios (células do cérebro e da medula) são invasores. Lançam todas as suas armas contra esse “inimigo”. Destroem a bainha de mielina que reveste os axônios, condutores de informação dos neurônios. Isso interrompe a capacidade da célula de mandar mensagens ao resto do corpo. Músculos, articulações, olhos, raciocínio: todos exigem mensagens claras para funcionar bem.

No Brasil, a esclerose múltipla atinge cerca de 30 mil pessoas, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. A doença afeta cerca de duas vezes mais mulheres do que homens e costuma surgir na casa dos 20-30 anos. E a probabilidade aumenta quando se tem um dos pais ou irmãos com a doença, mas “não é uma doença genética em sentido estrito”, diz o professor Reinhard Hohlfeld, do Instituto de Neuroimunologia Clínica de Munique, na Alemanha. Muitos genes diferentes têm seu papel na esclerose múltipla, que exige um gatilho ou uma combinação de gatilhos para que o processo se inicie.

Nem sempre o diagnóstico é fácil. “Não há duas pessoas com o mesmo tipo de sintoma e apresentação da doença”, diz a Dra. Marie D’hooghe, neurologista do Centro Nacional de Esclerose Múltipla de Melsbroek, na Bélgica. Conforme a área do sistema nervoso afetada, os sintomas iniciais podem ser cegueira súbita num dos olhos, fraqueza ou formigamento em algum membro, descontrole da bexiga, dificuldade de equilíbrio ou problemas de raciocínio e memória. Mas, ao contrário da doença de Alzheimer, raramente a esclerose múltipla afeta a memória de longo prazo, a inteligência geral e a compreensão da leitura.

A forma inicial mais comum da esclerose múltipla é a esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), ou surto-remissão. Os sintomas costumam aparecer sem aviso, e depois, em dias ou semanas, somem sozinhos, completa ou parcialmente, mesmo sem tratamento. No entanto, deixam lesões.

A maioria dos que têm a EMRR (cerca de 80%) com o tempo progredirá para a esclerose múltipla progressiva secundária (EMPS), embora isso possa levar 25 anos ou mais: não há mais surtos, apenas um declínio lento e constante que pode levar à incapacitação completa.

Outro tipo, a esclerose múltipla progressiva primária (EMPP), afeta cerca de 10% dos doentes e costuma surgir depois dos 40 anos. Em vez de surtos e remissões, os sintomas pioram aos poucos. Enquanto a EMRR, em geral, afeta o cérebro, a maioria dos pacientes com EMPP “apresentam sintomas que revelam envolvimento significativo da medula espinhal”, explica a Dra. Regina Schlaeger, neurologista e pesquisadora da esclerose múltipla no Hospital Universitário da Basileia, na Suíça. Por conseguinte, esses pacientes costumam sofrer de problemas nas pernas.

Depois que a inflamação de um surto é controlada com corticosteroides, a primeira linha de tratamento para limitar novos surtos são os interferons ou o acetato de glatirâmer.

Entretanto, esses medicamentos freiam o sistema imunológico como um todo. E o bom funcionamento desse sistema é essencial para a saúde. Portanto, a meta dos novos anticorpos monoclonais produzidos em laboratório, a exemplo dos nossos anticorpos naturais, é atacar com mais precisão as células que provocam a doença. O Dr. Tim Coetzee, da Sociedade Americana de Esclerose Múltipla, chama os anticorpos monoclonais de “bombas inteligentes”, graças à sua capacidade de “eliminar as células imunes prejudiciais e deixar as outras”.

O anticorpo monoclonal aprovado mais recentemente para o tratamento da doença (no Canadá, na Europa e na Ásia), o alemtuzumabe, é um medicamento desenvolvido nos anos 1980 para tratar um tipo de leucemia. Estudos clínicos mostraram que ele reduz o número de surtos e a extensão das lesões cerebrais no início da EMRR.

Três novos medicamentos orais estão disponíveis: fingolimode, teriflunomida e fumarato de dimetila. Antes de sua aprovação, todos os remédios para esclerose múltipla eram injetáveis.

Alguns pacientes, porém, ainda terão de esperar. “A disponibilidade de medicamentos varia muito pelo mundo”, explica o professor Alan Thompson, da Federação Internacional de Esclerose Múltipla. Ele diz que o acesso é limitado em muitos países.

Não há medicamentos especificamente aprovados para as formas progressivas primária e secundária de esclerose múltipla, e os utilizados para tratar a EMRR não surtem efeito contra a doença progressiva, embora evidências de relatos indiquem que seu uso na fase de surto-remissão pode retardar ou prevenir a progressão posterior.

A fisioterapia é um dos tratamentos mais eficazes no estágio progressivo, diz o professor Thompson. Embora o foco principal sejam as áreas afetadas, “não é uma questão de tratar apenas o músculo”, diz ele. “Na verdade, há indícios de influência sobre o modo como o cérebro reage às lesões.” Em outras palavras, o trabalho corporal pode estimular o cérebro a se autoconsertar.

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Algo estranho acontece. Seu corpo se recusa a fazer o que sempre fez. Talvez a perna esquerda ceda de repente. Ou o braço direito comece a formigar e perca força. Ou você não consegue enxergar com um dos olhos.

O que há de errado?

O médico pede uma ressonância magnética do cérebro e da medula, encontra cicatrizes reveladoras de lesões – danos
ao sistema nervoso central – e dá o diagnóstico. Você tem esclerose múltipla, doença incurável que, daqui a algum tempo, pode incapacitá-lo.

E agora, o que fazer com tantos planos para o futuro?

Quando faz bem o seu trabalho, o sistema imune nos defende de vírus, bactérias e outros invasores microscópicos. Mas em quem tem esclerose múltipla algumas células combatentes desse sistema se confundem e decidem que os neurônios (células do cérebro e da medula) são invasores. Lançam todas as suas armas contra esse “inimigo”. Destroem a bainha de mielina que reveste os axônios, condutores de informação dos neurônios. Isso interrompe a capacidade da célula de mandar mensagens ao resto do corpo. Músculos, articulações, olhos, raciocínio: todos exigem mensagens claras para funcionar bem.

No Brasil, a esclerose múltipla atinge cerca de 30 mil pessoas, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. A doença afeta cerca de duas vezes mais mulheres do que homens e costuma surgir na casa dos 20-30 anos. E a probabilidade aumenta quando se tem um dos pais ou irmãos com a doença, mas “não é uma doença genética em sentido estrito”, diz o professor Reinhard Hohlfeld, do Instituto de Neuroimunologia Clínica de Munique, na Alemanha. Muitos genes diferentes têm seu papel na esclerose múltipla, que exige um gatilho ou uma combinação de gatilhos para que o processo se inicie.

Nem sempre o diagnóstico é fácil. “Não há duas pessoas com o mesmo tipo de sintoma e apresentação da doença”, diz a Dra. Marie D’hooghe, neurologista do Centro Nacional de Esclerose Múltipla de Melsbroek, na Bélgica. Conforme a área do sistema nervoso afetada, os sintomas iniciais podem ser cegueira súbita num dos olhos, fraqueza ou formigamento em algum membro, descontrole da bexiga, dificuldade de equilíbrio ou problemas de raciocínio e memória. Mas, ao contrário da doença de Alzheimer, raramente a esclerose múltipla afeta a memória de longo prazo, a inteligência geral e a compreensão da leitura.

A forma inicial mais comum da esclerose múltipla é a esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), ou surto-remissão. Os sintomas costumam aparecer sem aviso, e depois, em dias ou semanas, somem sozinhos, completa ou parcialmente, mesmo sem tratamento. No entanto, deixam lesões.

A maioria dos que têm a EMRR (cerca de 80%) com o tempo progredirá para a esclerose múltipla progressiva secundária (EMPS), embora isso possa levar 25 anos ou mais: não há mais surtos, apenas um declínio lento e constante que pode levar à incapacitação completa.

Outro tipo, a esclerose múltipla progressiva primária (EMPP), afeta cerca de 10% dos doentes e costuma surgir depois dos 40 anos. Em vez de surtos e remissões, os sintomas pioram aos poucos. Enquanto a EMRR, em geral, afeta o cérebro, a maioria dos pacientes com EMPP “apresentam sintomas que revelam envolvimento significativo da medula espinhal”, explica a Dra. Regina Schlaeger, neurologista e pesquisadora da esclerose múltipla no Hospital Universitário da Basileia, na Suíça. Por conseguinte, esses pacientes costumam sofrer de problemas nas pernas.

Depois que a inflamação de um surto é controlada com corticosteroides, a primeira linha de tratamento para limitar novos surtos são os interferons ou o acetato de glatirâmer.

Entretanto, esses medicamentos freiam o sistema imunológico como um todo. E o bom funcionamento desse sistema é essencial para a saúde. Portanto, a meta dos novos anticorpos monoclonais produzidos em laboratório, a exemplo dos nossos anticorpos naturais, é atacar com mais precisão as células que provocam a doença. O Dr. Tim Coetzee, da Sociedade Americana de Esclerose Múltipla, chama os anticorpos monoclonais de “bombas inteligentes”, graças à sua capacidade de “eliminar as células imunes prejudiciais e deixar as outras”.

O anticorpo monoclonal aprovado mais recentemente para o tratamento da doença (no Canadá, na Europa e na Ásia), o alemtuzumabe, é um medicamento desenvolvido nos anos 1980 para tratar um tipo de leucemia. Estudos clínicos mostraram que ele reduz o número de surtos e a extensão das lesões cerebrais no início da EMRR.

Três novos medicamentos orais estão disponíveis: fingolimode, teriflunomida e fumarato de dimetila. Antes de sua aprovação, todos os remédios para esclerose múltipla eram injetáveis.

Alguns pacientes, porém, ainda terão de esperar. “A disponibilidade de medicamentos varia muito pelo mundo”, explica o professor Alan Thompson, da Federação Internacional de Esclerose Múltipla. Ele diz que o acesso é limitado em muitos países.

Não há medicamentos especificamente aprovados para as formas progressivas primária e secundária de esclerose múltipla, e os utilizados para tratar a EMRR não surtem efeito contra a doença progressiva, embora evidências de relatos indiquem que seu uso na fase de surto-remissão pode retardar ou prevenir a progressão posterior.

A fisioterapia é um dos tratamentos mais eficazes no estágio progressivo, diz o professor Thompson. Embora o foco principal sejam as áreas afetadas, “não é uma questão de tratar apenas o músculo”, diz ele. “Na verdade, há indícios de influência sobre o modo como o cérebro reage às lesões.” Em outras palavras, o trabalho corporal pode estimular o cérebro a se autoconsertar.

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